Fenda
Confeccionados a partir do acabamento de costura em vivo, os trabalhos da série Fenda operam num território liminar entre pintura, objeto e superfície têxtil, onde a imagem emerge menos pela adição de matéria do que pela incisão; a fenda como gesto inaugural. Um intervalo tensionado entre superfície e profundidade que atua como unidade formal e conceitual ambiguamente — não é exatamente vazio nem linha. O plano deixa de ser contínuo e passa a ser atravessado por marcações que aparecem em gesto quase industrial. As fendas atuam como unidades de medida, como se o universo contido na obra estivesse sendo contado, ritmado ou cartografado.
O vivo, tradicionalmente associado ao reforço e à contenção da borda, aqui desloca sua função: não encerra, mas abre. Cada corte-costura é um acontecimento mínimo que interrompe o campo cromático e o transforma em espaço ativo. A técnica deixa de ser um recurso periférico para se tornar o próprio campo de investigação: um modo de pensar a forma a partir da interrupção, de construir presença a partir do corte e de fazer da superfície um lugar de tensão contínua entre ordem e sensibilidade.
Gabriel Babolim
s.t, 2024 | Vivo sobre veludo | 40 x 30 cm
Ferrugem 01, 2025 | Vivo sobre linho | 130 x 90 cm
s.t, 2025 | Vivo sobre algodão | 80 x 70 cm
s.t, 2025 | Vivo sobre veludo | 40 x 30 cm
s.t, 2024 | Vivo sobre linho | 43 x 32 cm
s.t, 2024 | Vivo sobre veludo | 40 x 30 cm