Tênue

As obras da série Tênue não estabelecem um padrão exato ou delimitador em sua apresentação; sustentam-se na investigação da fragilidade das estruturas — visuais, simbólicas e materiais — à qual o próprio termo do título faz referência. Trata-se da ideia do “tênue” como algo que existe, mas por pouco, como estruturas que podem se desfazer a qualquer momento.

Os trabalhos apresentam espécies de sistemas em tensão, como se cada pintura criasse um campo no qual a ordem tenta se estabelecer, mas nunca se completa plenamente. As imagens são construídas por acúmulo e sedimentação: seja pela repetição de elementos, seja pela sobreposição de camadas. O gesto mantém-se contido, disciplinado e quase silencioso — assim como a seleção das paletas que compõem as obras, formadas por tons rebaixados, terrosos e pouco saturados —  Preti utiliza esse vocabulário na criação de trabalhos que reforçam a atmosfera quase meditativa das composições, investindo em variações mínimas, desvios sutis e no equilíbrio frágil entre ordem e dissolução.

Gabriel Babolim


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