Prelúdio

Nas leituras musicais, o prelúdio apresenta-se não apenas como uma mera introdução a uma composição final, mas também como uma peça autônoma. Na série homônima de Fabiana Preti, a analogia ao título igualmente se aplica: suas primeiras investigações com composições em padrões geométricos, cores e formas são desenvolvidas tecnicamente na azulejaria aplicada a objetos industriais, em uma espécie de ensaio de espacialidade.

Preti transforma o azulejo — material historicamente associado ao utilitarismo — em uma plataforma de pesquisa visual dinâmica e sofisticada. Os objetos são alterados no ateliê por meio de texturas orgânicas resultantes do uso de tinta a óleo, que exploram o limiar entre o racionalismo geométrico e a gestualidade orgânica; ou ainda organizados em módulos combinatórios que escapam à simetria e incorporam a estranheza. Em Prelúdio, os azulejos deixam de ser meros revestimentos de parede para se tornarem “objetos de parede”.

Gabriel Babolim

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