Clarividente

Em Clarividente, Fabiana Preti utiliza pontos de bordado mínimos, organizados em grades regulares, deslocando-o de sua associação narrativa ou ornamental para uma redução ao essencial, ganhando densidade simbólica em um exercício de contenção. A aplicação do material sobre voil introduz a transparência e a instabilidade do fundo na leitura da obra, fazendo com que estas nunca se encerrem em si mesmas: a luz, a parede e a sombra atravessam o trabalho. Essa porosidade dialoga diretamente ao título da série, sugerindo uma visão que não é direta nem total, mas mediada, sutil e intuitiva.

Neste mesmo sentido, os chassis atuam como extensão do trabalho. A aplicação de cor sobre a madeira cria um campo de transição entre o exterior e o interior da tela, reforçando a ideia de limiar. Preti investiga o olhar como experiência sensível e temporal, mais próxima da escuta do que da evidência — a clarividência como um estado de atenção expandida.

Gabriel Babolim

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