Recortes

Em “Arte Contemporânea”, Anne Cauquelin discorre sobre o vazio como recurso ativo de sentidos nas composições, capaz de exercer pressão, gerar ritmo e definir a massa das formas ao seu redor, organizando a percepção. A série Recortes, de Fabiana Preti, parte dessa relação entre figura e fundo na construção de formas que tensionam encaixes, limites, expansão e contração.

A utilização de moldes em papel na alfaiataria baseia-se no princípio da subtração da forma a partir do tecido; de modo análogo, as pinturas da série recortam o espaço da tela. Há nesse gesto, uma sugestão de funcionalidade. Preti vale-se da precisão industrial na criação de intervalos na pintura, recortando campos de cor da superfície e transformando o suporte em um plano de corte, no qual o corpo pictórico se apresenta como uma sombra geométrica. O vazio torna-se, assim, a régua que mede a potencialidade das cores, acentuando, por sua vez, a ideia de materialidade da pintura.

Gabriel Babolim

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