Áurea

Em Áurea, a construção da superfície pictórica se dá através de uma trama de diferentes espessuras originadas no acúmulo de camadas que se apresentam como um quase-tecido. Preti incorpora formas orgânicas através de recortes na camada superficial que apresentam-se sólidas à primeira vista, mas que, em um olhar minucioso, se dissolvem na não delimitação, em uma poética que pode referir-se às fragilidades ou flexibilidades das estruturas.

A geometria aqui não se afirma como um sistema fechado, mas como estrutura instável, atravessada por desvios, pulsações e pequenas falhas que introduzem o sensível no rigor formal. A cor é construída no tempo, na vibração óptica derivada da sobreposição e da repetição, do gesto que carrega o peso do braço e a precisão da mão. A repetição, afinal, nunca é idêntica, ela produz diferença, como menciona Rosalind Krauss. Nesse sentido, Áurea recusa a neutralidade da forma e da cor ao criar novas relações entre ordem e dissolução, pigmento e luminosidade, entregando fluxo no lugar de ordem.

Gabriel Babolim

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